18mai |
Categoria:
Lírica & Ficção |

o objeto não pára no ar
gasta sua vida
pra mim, pra ti
tudo frustra
estorva a quietude
finca-se
cócoras
no chão
negro de estimação
o que não presta
estima-se
e põe-se na estante ao lado do capital
11mai |
Categoria:
Opinião, Outras Palavras |
Leia a seguir texto sobre o novo livro de Roberto Schwarz, Martinha versus Lucrécia.

Verdade versus análise
Nova coletânea de textos de Roberto Schwarz repõe em jogo a necessidade de pensar o Brasil a partir da politização da análise estética
Martinha versus Lucrécia (Cia das Letras, 2012), último livro do crítico literário Roberto Schwarz, chegou às livrarias mês passado e abasteceu os cadernos culturais de alguns de nossos periódicos com um saudável bafejo de polêmica, embora esta não tenha nem duração e nem aprofundamento garantidos, pois, nesses tempos pra lá de pós-modernos, de pauperização encefálica da grande imprensa, polemizar a sério é algo desconectado da fruição irrestrita do “curti/não-curti”, cada vez mais arraigada nos “melhores talentos” intelectuais brasileiros. De qualquer forma, a polêmica se justificou basicamente por dois motivos: 1) pela análise cerrada do ambíguo livro Verdade Tropical de Caetano Veloso e 2) pela, segundo alguns, injustificada insistência do crítico em interpretar a experiência histórica brasileira a partir de suas experiências culturais, especialmente aquelas provindas do campo da literatura, atualmente muito combalida como atividade estética de escavação do real. Se desde o título o livro de Schwarz carrega a marca do acirramento do debate, em chave dialética, não haveríamos de esperar outra coisa. Talvez esteja aí um pouco do seu mérito.
Veja o texto completo em PDF: Verdade versus análise
ou
Acesse www.outraspalavras.net
5mai |
Categoria:
Traduções |
![]()
Em 5 de maio de 1818, nascia, em Trier – Alemanha, Karl Heinrich Marx. 131 anos depois, o poeta italiano Pier Paolo Pasolini escreveu uma das mais dilaceradas odes ao filósofo alemão. Penso que ela está à altura das contradições captadas pelo pensamento de Marx e também de um tempo bruto e brutalizande do Ocidente, recém saído da II Guerra Mundial. Curiosamente, o poema se intitularia “La ricerca di mia madre”.
Abaixo segue a minha singela tradução do belíssimo poema, como forma de homenagem discreta e de testemunho do eco esfumaçado dos dois autores nos tristes trópicos periféricos.
A descoberta de Marx – Pier Paolo Pasolini (1949)
Eu sei que os intelectuais em sua juventude sentem realmente inclinação
física para o povo e creêm que isso é amor. Mas não é amor: é mecânica inclinação à massa. (M. Gorki)
I
Pode nascer de uma sombra
com rosto de menina
e pudor de violeta
um corpo que me estorva
ou, de um colo azul
uma consciência – sozinha
dentro do mundo habitado?
Fora do tempo nasceu
o filho, e dentro morre.
II
Sangue mediterrâneo
alta língua romanica
e raiz cristã
no perfeito estranho
nascido no cômodo
de uma cidade feliz.
Tu eras irreligiosa
bárbara, ou ingênua esposa
e genitora infante.
III
Como caí
em um mundo de prosa
se eras um passarinho,
uma cotovia e, mudo
para a história – uma rosa -
ou jovem mãezinha
era teu coração? nesta
ordem manifesta
por ti: o mundo me aceita?
IV
Tu me transmitiste no coração
já adulto de um tempo
do qual, adolescente,
busquei ardendo de amor
as fontes. Ah educação
adequada ao prepotente
sentido do meu século,
sentido único, eco
do Coração preexistente!
V
E a cada dia me afundo
no mundo racionalizado
impiedosa instituição
dos adultos – no mundo
há séculos encalhado
ao soar de um Nome:
com ele me aprisiono
no estupendo dom
que já é só razão.
IV
Mas o peso de uma idade
que força a consciência
e modela o dever,
quando em mim haverá
vencido a resistência
do meu coração volúvel?
se, contigo, não tenho alma
de amor, mas uma chama
de suave caridade?
VII
Não pensavas que o mundo
do qual sou um filho
cego e apaixonado
não fosse uma alegre
posse de teu filho
doce de sonhos, armado
de bondade – mas uma antiga
terra alheia que à vida
dá ânsias de exílio?
VIII
A língua (da qual soa
em ti apenas uma nota,
na aurora do dialeto)
e o tempo (ao qual doas
tua ingênua e móvel
piedade) são as paredes
entre as quais entrei,
sedicioso e possuído,
com teus olhos mansos.
IX
Não sujeito mas objeto
mãe! um inquieto fenômeno,
não um deus encarnado
com os sonhos no peito
de ansioso filho! anônima
presença, não desolado
eu! Me exprimiste
no mistério do sexo
uma lógica Criação.
X
Mas há na existência
algo mais que amor
pelo próprio destino.
Ou é um cálculo sem
milagre que aflige
ou suspeita que se força.
Nossa história! Dentada
de puro amor, força
racional e divina.
25jan |
Categoria:
Lírica & Ficção |

deu uma quina
no olhar dela
era pôr de domingo
- por mim?
Marilene viu-se
só
- aqui nem
11/09 tem.
restos de comida
no sofá
rugas de programas
de tevê
que giraram
o dia todo
em rusgas
como vitrola
de eterno inútil
nada de novo no front do seu sorriso
- Osvaldinho!
ele ao menos
era capaz
de dizer
que ela tinha tetas
de cadelinha
daí pensou
na repartição
e partiu-se mais
(esmagada por um caminhão
costelas quebradas
furos no pulmão)
fechou os olhos
e outra vez
acertou o despertador
Tags:
Lírica & Ficção, Poesia |
26dez |
Categoria:
Opinião |

Leia a seguir artigo sobre o poema “Hino Nacional”, de Carlos Drummond de Andrade, recentemente publicado na Revista Comunicaciones en Humanidades da Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, de Santiago do Chile:

