Home Subscribe

2

ago
Categoria: NA IMPRENSA

A convite de Maristella Petti, da Universidade de Perugia, Itália, respondi a algumas perguntas sobre literatura, poesia e a conjuntura política brasileira. O resultado foi uma ótima entrevista, pela provocação que as excelentes perguntas feitas por Maristlla fizeram a mim. Gostei muito de pensar e escrever sobre as questões de que ela tratou. Reproduzo abaixo o link para o interessantíssimo site Insula Europea e nos anexos a entrevista em português e em italiano. Toda gratidão a Maristella Petti.

 

Insula Europea

Maristella Petti intervista Alexandre Pilati

Alexandre Pilati è professore di letteratura e ricercatore presso l’Università di Brasilia, capitale del Brasile. Il suo interesse è da sempre volto alla poesia politica, area in cui si è addottorato e di cui è attualmente ricercatore e produttore. Con la sua inarrestabile attività di scrittore, si occupa in primo luogo di poesia, ma anche di saggi, frutto del suo lavoro di ricerca. Questo suo ruolo di ricercatore in un campo tanto umanistico come quello della letteratura è volto non solo a studiare questo oggetto abbattendo barriere geografiche e temporali, ma anche e soprattutto a usare il risultato di questa ricerca come criterio d’analisi della società e della storia contemporanee.

Baixe os arquivos da entrevista:

Potuguês: Entrevista_Insula_Europea

Italiano: Intervista Insula Europea

 

12

jun

 

 

Eletronic poem

 

aferrar-se a essas coisas

que nada valem

que no túmulo

no além

mais do que nós durarão

 

não

não as querem o vermes

 

lutar em vão para postergar a morte

para eternizar o corpo

a juventude

 

apegar-se à física metafísica dos fármacos

o corpo não interroga os ópios de ocasião

vez ou outra apenas teme no vazio gozando

 

e treme o corpo

incorporando

a musa desprovida

de poesia em puro mover

 

Tags:

3

jun

Horizonte cerrado* 35

 

As lições e as Lições do Golpe

Só os muito incautos ou os muito mal intencionados não admitem que o que se passa no Brasil, há pelo menos dois anos, é um processo golpista. Desde que o Senado brasileiro aprovou o afastamento da presidenta eleita Dilma Rousseff, vários episódios explicitaram ao país as verdadeiras razões do golpe impingido à democracia nacional. Não vale a pena recapitular aqui tais episódios. Eles são bizarros: de Frota no MEC a Jucá gravado, passando pela figura sinistra de um Gilmar Mendes visitando na calada da noite o interino golpista ou pelo juiz Sérgio Moro, desde o dia 17/04 acometido por uma estranha síndrome de avestruz.

Esses e outros fatos já são largamente conhecidos do público pela repercussão que tiveram nas redes sociais e mesmo na imprensa tradicional. Sabemos todos os ingredientes verdadeiros do movimento que apeou (ao menos temporariamente) Dilma e o PT do poder. De cabeça, é fácil levantar ao menos os principais, que dinamizam a narrativa golpista: a grande pressão do capitalismo transnacional, a decisiva interferência na geopolítica da América Latina protagonizada pelos EUA, a intensa fabricação de consentimento anti-esquerda pelo oligopólio da mídia vendida, o legislativo corrupto e vendido aos interesses mais espúrios de um capitalismo periférico, uma regressão conservadora dos costumes, o desespero de uma máfia política que é composta por ratos que habitam os porões da nova república desde as primeiras eleições diretas depois da ditatura militar, o conjunto significativo de erros e problemas dos governos dirigidos pela coalizão de centro-esquerda nesses últimos anos.

Se esse movimento precisava de prepostos, de vis rábulas do direito pactário, encontrou-os especialmente em dois velhacos do poder brasileiro, representantes do dinheiro grosso que decide os destinos do país, na falta de um plano nacional e popular construído junto com a população. São eles: Michel Temer, um ficha-suja que nem sequer pode se candidatar a uma eleição de vereador, e Eduardo Cunha, nossa melhor expressão tupiniquim de mafioso entranhado no Estado. Eis, pois, os protagonistas do golpe: os endinheirados do país e seus títeres políticos, junto com uma massa irreflexiva de tendência fascista que compõe o exército sonâmbulo da pequena burguesia brasileira, que, mirando-se no exemplo dos ricaços que admira, faz da sua vida uma valsa entre os verbos “consumir” e “odiar”.

Em pinceladas rápidas, temos aí o retrato cômico-trágico de um golpe travestido de “solução” de crise econômica, política e institucional, capitaneada pelos de cima, num clima de república de bananas.

O resultado almejado pelo golpe, pelas ações do Governo ilegítimo e temporário que age como definitivo, é tomar o poder e reconduzir o país de modo cabal rumo ao retrocesso em várias frentes da vida brasileira. Retrocesso econômico: implantação radical da pauta neoliberal, que além de espúria porque vendida aos interesses dos poderosos, é retrógrada pois não aponta para um esquema de reindustrialização que sustente a médio prazo algum crescimento para o país. Retrocesso político: salvação geral e irrestrita dos corruptos que sustentam, na base da negociata semicolonial, uma democracia burguesa arreganhada aos donos do capitalismo brasileiro, que é viciado em dinheiro público, além, é claro, da aposta na insidiosa trama política da nova república. Retrocesso social: também chamado de desagregação social, pautada na máxima do “liberalismo” periférico de que o Estado tem de ser mínimo, mas deve ajudar primeiro os que já têm ajuda, ou seja, nada de cotas, de bolsas, nada de saúde e de educação públicas e de qualidade. Retrocesso humano: basta lembrar o que desejam fazer os adeptos do Escola sem Partido, os que atacam a lei do aborto, os que criminalizam movimentos sociais, as religiões de matriz africana, os que acham que o índio deve ser convertido, apostam no criacionismo e julgam os gays uma aberração da natureza.

Ora, esse é o jeito ilegítimo, violento e conservador de a elite brasileira tentar se recolocar social e politicamente nos quadros de uma transformação que o capitalismo mundial vem sofrendo há alguns anos e à qual podemos chamar de “a mais grave crise sistêmica desde 1929”. As crises reconfiguram posições econômicas, rearticulam forças políticas, transformam e preparam o mundo material para uma nova quadra histórica. Não podemos deixar de considerar isso. Estamos em um novo limiar histórico, em termos locais e em termos globais. O sistema-mundo espreguiça-se para um novo dia de exploração e mais valia. O golpe de Estado perpetrado pela elite econômica brasileira é um arranjo de reposicionamento nessa iminente nova etapa da história. Não podemos perder isso de vista, senão veremos, nós que não lucramos com a crise, ainda mais constrito o nosso lugar nesse alvorecer de nova fase da decadência do capitalismo. Se perdemos essa noção, não conseguimos pensar no pós-capitalismo.

Há para nós tarefas urgentes, imediatas, mas há também tarefas de longo prazo. Resistir ao golpe é nossa tarefa urgente. Denunciar a cada oportunidade esse movimento conservador e ilegítimo é nossa tarefa imediata. Articular o retorno da presidenta eleita ao poder é fundamental agora. Nossas forças precisam estar concentradas nesse compromisso, até porque ele pode nos ajudar a viabilizar uma outra tarefa maior, que é a reunião e a concentração das forças do campo progressista da sociedade. A luta política é uma dimensão da formação humana, ela é um espaço de aprendizado sobre nós e sobre nossos destinos.

 

A luta contra o retrocesso é dos movimentos sociais, dos trabalhadores e das trabalhadoras, dos partidos políticos da esquerda, dos intelectuais, do movimento LGBT, dos indígenas, dos sindicatos, da juventude que ocupa as escolas, dos artistas que ocupam os teatros. A esquerda sempre teve dificuldade de articular setores em divergência dentro do seu espectro vário de propostas teóricas, intenções e práticas. Essa é a primeira dificuldade que precisaremos aprender a superar se quisermos fazer frente ao aguerrido ataque das forças conservadoras ao país que nos diz respeito. Precisamos, com nossas diferenças, saber formular uma alternativa concreta, saber construir um projeto de país popular para responder à crise em que a especulação financeira nos meteu há oito anos. Quem são os inimigos? A resposta a essa pergunta, desde a redemocratização brasileira, jamais esteve tão clara.

Não vejo horizonte possível para uma ação emancipatória de longo prazo, que faça frente ao retrocesso que aceleradamente o Governo Temer propõe sem que consigamos mobilizar (as ruas, as casas, as salas de aula, os locais de trabalho, as redes sociais) em torno de duas causas imediatas: o retorno de Dilma e a proposição de um plebiscito sobre novas eleições, que confira nova legitimidade aos poderes da nossa frágil democracia. Esse processo pode acelerar um pouco nossa resistência ao retrocesso. Para conseguir isso, todavia, precisaremos aprender a reinventar as formas de participação política. E teremos de aprender isso na prática, para já e para depois, sob pena de sermos engolidos por uma longa noite de fascismo neoliberal.

A Nova República se esgotou, ou formularemos com os espoliados pelo neoliberalismo o passo seguinte da ordenação político-social do país, ou veremos, mais uma vez, o poder dos endinheirados comandar movimento do Brasil no rumo da nova quadra do capitalismo.

Fico sempre muito animado com nossa capacidade de organização, de mobilização, nossa criatividade ao protestar, com o humor e a alegria sempre presentes, pois sabemos que quem odeia e faz cara feia não constrói um mundo melhor. O trabalho político cooperativo, horizontal e agregador que gere, entretanto, uma transformação prática e não apenas resistência (o que já é muito, mas não basta) é o desafio que está posto à nossa geração. Se não formos capazes de fazer essa maturidade social que atingimos gerar frutos de intervenção no concreto das relações políticas, dificilmente a próxima geração poderá usar tão bem quanto nós os verbos “resistir” e “transformar”. A multiplicidade de tendências que compõe o campo das esquerdas precisa ser entendida como a riqueza que dá mais força à resistência política. Inventar uma verdadeira “nova política” que as reúna num movimento amplo de construção de uma ideia futura de país será, talvez, a grande lição do Brasil aos golpistas de hoje e de amanhã.

Alexandre Pilati é professor de literatura brasileira da Universidade de Brasília. É autor de A nação drummondiana (7Letras, 2009) e organizador do volume de ensaios O Brasil ainda se pensa50 anos de Formação da Literatura Brasileira (Horizonte, 2012). Acaba de lançar o livro de poemas e outros nem tanto assim (7letras, 2015). www.alexandrepilati.com


*“Horizonte cerrado” é a expressão que inicia o primeiro verso do soneto de abertura do livro Poesias (1948) do poeta carioca Dante Milano. Sendo microcosmo do poema, a expressão também serve para expor a situação atual de um mundo cujas perspectivas nos aparecem sempre encobertas por nuvens ideológicas cada vez mais intrincadas. O que pode o olhar do poeta, do escritor e do crítico literário diante disso tudo? Esta coluna, inspirada na lição de velhos mestres, quer testar as possibilidades de olhar algo do real detrás da névoa, discutindo literatura, arte, política e pensamento hoje.

 

25

abr

 

Mísera estampa

Acima do branco mar

Assunta uma caveira

Sem lenho, sem penas, sem vida

E o desejo inútil de tomá-la

Assiste uma racha da realidade

 

Magia risco e idiossincrasia

Nem é de sangue

Nem é de osso

Nem é de ferro

Que se faz poesia

Tags:

20

abr
Categoria: Opinião

UnB – Um legado democrático

Publicado originalmente em: UnB Notícias

Resultado de imagem para darcy ribeiro

A Universidade de Brasília faz 54 anos em 2016. Pedem-me um texto que a homenageie nesta data tão importante para todos aqueles que, como eu, têm dedicado a vida à educação, à pesquisa e à ação de tornar realidade o desejo de que o conhecimento se expanda e se aprofunde na sociedade brasileira, tornando-a mais efetivamente justa. Como as homenagens correm o risco de diluírem-se no protocolo, dissolvendo-se em oficialismo, gostaria de usar algumas prerrogativas de minha formação na área dos Estudos Literários e contar algumas histórias da UnB de um ponto de vista bastante subjetivo, usando minha memória para reviver momentos e companheiros como Honestino Guimarães e Darcy Ribeiro.

 

Passei, até este 2016, 22 anos dentro da UnB, desde que me matriculei no curso de Letras –  Português, no ano de 1994. Entre os momentos especiais que vivi na UnB está a cerimônia de outorga do título de Doutor Honoris Causa ao grande pensador brasileiro, e fundador da UnB, Darcy Ribeiro, ocorrida no teatro de arena lotado. A juventude ouvia atenta. Os professores emocionados aplaudiam o grande mestre que ensaiava já suas últimas lições devido à debilitação física evidente. A partir daquela data, o campus levaria justamente o nome de seu idealizador. Eu era apenas um estudante de primeiro ano de graduação e sentia que a poesia política daquele momento inundava por completo as vidas de quem ouvia.

 

Darcy, naquele dia, fez uma fala emocionada e aguerrida, que ficou marcada profundamente em mim. Hoje, graças ao registro que foi feito do ato, posso recompor literalmente algumas de suas palavras que mais me impressionaram: “Haverá quem pense que a Universidade, como a matriz de reprodução das classes dirigentes da sociedade dentro de uma civilização, tem mais a ver com a prosperidade dos ricos que com o destino dos pobres. É até moda em nossos dias delegar aos automatismos da História as tarefas da redenção social, cuidando que os ricos mais enriquecidos socorrerão os pobres”.

 

Era, na verdade, como pude depois entender, uma lição a respeito da matéria concreta da democracia, que, ou se combina com a ação de justiça social, ou é apenas um formalismo a serviço dos poucos que concentram vorazmente a riqueza produzida pelo país. Fiz minha graduação, na década de 1990, em uma Universidade que ainda representava majoritariamente o que Darcy, com a razão e o coração, nomeava, em seu discurso, de “matriz de reprodução das classes dirigentes” brasileiras. Tratava-se de uma Universidade não apenas menor, mas muito menos matizada social e etnicamente do que aquela em que hoje continuo aprendendo e ensinando.

 

Com a lição de Darcy na cabeça, procurei guiar a minha atuação, primeiramente como estudante e depois como professor da UnB. Isso implicou sempre manter vigilante a consciência de que é incontornável, para a sonhada evolução igualitária da sociedade brasileira, a construção de uma Universidade radicalmente democrática, que produza pensamento crítico capaz de ir “contra os automatismos da História”. Sob essa perspectiva, uma Universidade radicalmente democrática é aquela que constrói para (e junto com) as classes populares as condições concretas necessárias para a sua conversão em sujeito da transformação histórica. A UnB que vejo hoje quando ando pelos corredores e entro em sala é um lugar muito mais plural, muito mais vivo, muito mais politizado, muito mais saudavelmente misturado, muito mais aberto ao interesse público… Esta UnB com 54 anos é, sem dúvida, mais democrática do que aquela em que me formei no correr dos anos 1990. Ainda há muito o que fazer, mas vimos significativos avanços, nos últimos tempos. E, principalmente, conseguimos garantir nossa prerrogativa essencial, que é a manutenção da UnB (e de qualquer outra Universidade Federal) como instituição pública, gratuita, de qualidade e progressivamente mais democrática.

 

Em tempos difíceis como os que vivemos em 2016, é fundamental lembrar o legado de Darcy Ribeiro. Naquele discurso emocionado de 1994, revelador por sua intensidade política, ele dizia da necessidade de criarmos novas classes dirigentes para o Brasil, através (e a partir) da vivência universitária democrática. Novas “elites”, que, para estarem à altura da necessária democracia, deveriam laborar socialmente “cheias de indignação frente à realidade sofrida do Brasil”. Essas “elites” novas precisariam ter a “cara” do país, pois assim haveria, pensava ele, a possibilidade concreta de juntos criarmos o que é historicamente novo, fugindo dos automatismos que interessam ao pensamento conservador. Darcy falava, naquela década de 90, de uma Universidade que tentava se reerguer após os tempos sombrios de ditadura militar. Era uma Universidade ainda combalida pelos golpes que sofrera do regime militar. Via-se, então, que Darcy ainda hesitava em acreditar que seu desejo de um país mais igualitário construído através da Universidade tinha forças materiais para se converter em realidade.

 Resultado de imagem para honestino guimarães

Aliás, falando em golpes sofridos pela Universidade durante o regime de exceção, quero recordar outra história vinculada à existência da UnB e às lutas que aqui se travaram contra todas as formas de retrocesso. O aluno da UnB Honestino Guimarães é um símbolo da luta democrática que sempre caracterizou a Universidade. Infelizmente, a utopia e a energia de nosso colega eternamente presente foram moídos nos porões sujos de sangue de uma ditadura das mais perversas e criminosas já vistas. Honestino foi morto, como foram mortos tantos homens e mulheres, como foram mortos tantos desejos e sonhos de liberdade e de democracia, naquela longa noite brasileira que durou vinte anos. Aquele foi um regime espúrio, que quis silenciar a Universidade brasileira e que sequer deu à família deste estudante de geologia da UnB a possibilidade de enterrar o seu corpo humanamente. Se não lhe foi possível um túmulo digno, a Universidade inteira, com sua história de resistência à opressão, a sua vida hoje renovada, seu burburinho de liberdade, seu avanço social visível, converte-se cabalmente, e cada vez mais, em um imenso monumento a Honestino e a todos aqueles que sucumbiram clamando por um país mais livre e mais democrático.

 

Nesses anos que vivi na UnB, aprendi que a Universidade é um lugar de encontros, de diálogo, de debate, de estudos e de luta política. Aprendi que ela é um lugar de radicalização da democracia, porque nos seus corredores e salas de aula fazemos paulatinamente se tornarem realidade, para além do campus, os sonhos coletivos de um país melhor e mais justo. Eu tive a sorte de ver e viver, nesses mais de vinte anos dentro da UnB, um ciclo desse processo que esperamos contínuo. É uma instituição renovada a que completa 54 anos em 2016. É também uma UnB à qual o presente, pelas voltas que o mundo dá, interpela, exigindo-lhe compromisso com os ideais de um reitor e um líder estudantil, Darcy e Honestino, que tanto influenciam os ideais dos que por aqui passam e dos que por aqui ficam.

 

Que nós, professores, alunos, funcionários e dirigentes, saibamos lidar com esse legado, atualizando-o e aprofundando-o para manter vivo o âmago político da Universidade: produzir, através do conhecimento, uma realidade nacional socialmente mais justa. Por tudo isso que vivi e que aprendi, sei que a nossa melhor homenagem neste ano à Universidade é nosso trabalho honesto, é nosso companheirismo humano, é nossa vigília atenta e, é claro, a nossa luta incansável pela democracia como contribuição vital da UnB à sociedade brasileira.

 
Contatos Email twitter orkut