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[laço]


COSMOPOLITA Adriana Cangalaya

Um livro nasce de um laço com o mundo. Um livro é a prova incontestável de que se abraçam numa mesma história o escrito e o vivido. Por mais óbvio que pareça, esse pressuposto nos leva a considerações sobre o distintivo do literário enquanto “reflexo da realidade”. A literatura põe em outro plano de relação os elementos da realidade. Ela, não nega tais elementos, não os cancela. Ao contrário torna evidente os não evidentes laços com a realidade.

Quando alguém lê literatura, tem a oportunidade de recompor esse laço e um sem número de planos da realidade se reorganizam num plano que está submetido a outra lógica; a lógica das “leis da beleza”. A leitura literária, portanto, longe de ser escapismo, é ato de recomposição do laço do leitor com a realidade. A leitura literária faz sentido como tal enquanto projeta o cancelamento de um laço falso com a realidade, um laço que tem a ver com a aparência da realidade apenas. A leitura literária leva à descoberta de laços essenciais entre o que vive o indivíduo e o que vive a humanidade, nas tensões entre a história e o destino, entre o que é causal e o que é casual, entre o que é utópico e o que é concreto.

Muitas vezes, ao ler, levantamos os olhos e enxergamos para além das páginas escritas. Estamos, nesse momento, descobrindo horizontes íntimos e coletivos deste laço entre livro e mundo. E podemos, então, voltar ao livro e ao mundo transformados; enlaçados também, de uma outra forma, ao real.

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